Isolamento, música e 13 de maio...
Olá gente, tudo bem? Todos em casa? E os seus vovôs e vovós estão aceitando ficar em casa? A minha já não saia, está reclamando que os outros não fazem como ela. Fica em casa, ora cantarolando, ora assistindo "Casos de Família".
Demorei bastante para escrever novamente, assumo que até comecei, mas deixei guardado como rascunho. Estou descobrindo que se firmar em outro estado (no Rio de Janeiro e sou de Pernambuco) é bastante desgastante. Fisicamente desgastante, emocionalmente, espiritualmente... Estar longe de pessoas especiais em dias especiais, como a minha irmã no aniversário dela (08 de abril) e não poder cantar parabéns pessoalmente, sem abraçar e dar um cheiro... O mesmo repetiu com a minha avó em seu aniversário e dia das mães.
Contudo, esse não é o assunto de hoje. Vamos falar de isolamento social, espero que você esteja bem (caso alguém pare para ler esse blog). Essa pandemia não é apenas um problema biológico, o estado de pandemia também é um problema psicológico e político (o lado político não será citado nada a mais hoje, preciso de mais saúde mental para escrever sobre). Muitas pessoas falando em problemas emocionais nesse momento de isolamento, de não poder conversar e interagir com outras pessoas e isso as deixam com medo, tristes e outras coisas que vocês já devem estar por dentro.
Uma ferramenta legal de interação, que parece ajudar nesse isolamento é a música. São tantas lives... Eu mal sabia o que era isso. Todo mundo fazendo shows gratuitos pelas redes sociais. Também há pessoas cantando e tocando nas varandas de apartamento entre outras coisas parecidas. Sem dúvida estamos vendo a importância da música, não só da música, da arte como todo.
Ver como a música rompe uma parte emocional desse distanciamento e comunica, promovendo a interação das pessoas, é bastante grandioso. Porque se fosse uma conversa entre varandas, o quanto do que estava sendo falado poderíamos entender perfeitamente? Com a música as pessoas interagem, comunicam-se, falam ao mesmo tempo e se entendem, se emocionam com aquilo que estão fazendo juntas.
Ou seja, a música tem esse poder de comunicar, de dar palavras, traduzir sentimentos que as palavras parecem não dar conta. E esse sentimento não precisa ser exatamente o mesmo que as outras pessoas sentem, mas com a música elas conseguem dialogarem os seus sentimentos, podendo concordarem com uma tradução em comum de algo que não se ver, mas que se sente muito intensamente. E por isso é grandioso.
Entre as coisas que a música pode comunicar, está o que o dia de ontem representa. Ontem foi dia 13 de maio, dia da abolição da escravatura, a famosa Lei Áurea assinada por dona Princesa Isabel, em 1888. Muitos falam e sugerem a comemoração pelo fim da escravidão. Para ser bem sucinto... Não há o que comemorar. Não para nós negros.
Vou explicar a situação de uma forma que talvez não seja a mais comum, mas vou explicar. A economia brasileira, até a abolição, era oficialmente baseada na mão-de-obra escrava. Essa mão-de-obra como você deve saber, era de negros africanos escravizados. Ao ponto de: a riqueza de uma pessoa ser medida pela quantidade de escravos. Então uma mulher, uma mulher da nobreza (não por bondade), assinou uma lei proibindo que pessoas negras africanas mensurassem a atividade econômica. Isso quer dizer que, o que mudou foi a política (eu tinha dito que não falaria, mas vai ser só essa vez) econômica e não, em hipótese alguma, foi uma política de libertação, uma política voltada ao direito das pessoas negras, muito menos direitos humanos. Foi uma política econômica.
Essa realidade, ou melhor, a realidade do povo negro no país depois dessa reforma política e econômica é cantada, entoada entre os grupos musicais negros por todo o país. Então, para finalizar esse texto, vou colocar uma música que traduz isso tudo que eu falei, para que cuidemos dos nossos. Que nós negros nos cuidemos, e que façamos festas, todo mundo junto, cada um em sua casa, respeitando o isolamento - #usarmáscarasalva. A música é "Quilombo Axé" (Dia de Negro), cantada por uma das maiores cantoras desse país (esse é tema para outro momento), madrinha Maria Helena Sampaio no Afoxé Oya Alaxé - #oyaalaxe.
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ResponderExcluirA música conecta msm..
ExcluirUltrapassa os limites
E nos preenche de sentimentos... ai de mim se nao fosse por ela...eu ja tinha endoidado de vez..rs
Acho importante se permitir a essas escritas aqui do blog que são, principalmente num momento como esses, um alívio (acredito q pra vc e pra nós que estamos lendo do outro lado)... então se cuida
Bjo ❤
Espero que seja bom para todos de que lerem, principalmente para os mais próximos...
ExcluirPara tentar explicar o que deve ser explicado na música, precisamos passar por escritas como esta, mais subjetivas, porque assim que a música é. Ela foi bastante "arquitetada", mas pouco foi concretizado sobre as subjetividades que ela envolve. Mas isso é assunto para outra publicação...