Vamos começar: a música explica tudo?
Estava pensando se deveria mesmo fazer este blog. Aproveitei essa história de quarentena e decidi começar, se eu me arrepender digo que foi o efeito dela.
Eu pretendo neste blog colocar textos de escrita e leitura mais livres e menos “técnicos” do que eu venho lendo atualmente, um espaço para eu colocar algumas das minhas reflexões de forma menos rígida. Então, esse blog é inicialmente para mim, mas tenho um sonho que possa ser útil para outras pessoas também.
Nele vou falar sobre música e poderemos conversar sobre ela. Vou falar sobre música porque em certo momento parecia que a música me explicava tudo e a partir dela eu via contextos sociais, culturais, históricos e sei lá mais o que. Mas, será que a música poderia explicar tudo?
Não vou fazer suspense. É claro que a música não explica tudo. Nada explica tudo. Acontece que em todo canto que você possa ir terá música e isso todo mundo concorda, ou não? Todo mundo vê isso na internet, muitas músicas, tudo muito rápido... Eu particularmente não consigo dar conta, por exemplo, Facebook eu tenho mas nem acesso... Enfim...
Nessa pegada, a produção do bregafunk, do meu país Pernambuco, é algo impressionante. Claro que há super produções em outros lugares do Brasil, mas comparado com a grana que anda por aí e a que anda em Pernambuco chamou minha atenção. E pensar onde essa galera consegue chegar e o pouco que tiveram para começar, isso é muita coisa.
A partir dessas e de outras músicas podemos pensar muitos problemas e algumas soluções (ou não) sociais. Por exemplo, durante meu mestrado escutei alguns colegas reclamando como o bregafunk envolve muita grana, comparado com as suas produções independentes de grande qualidade, segundo eles, não geravam o que eles entendiam como o mínimo aceitável (não sei quais são os valores).
Enquanto eles reclamavam sobre isso, eu estava pensando quanto o pessoal do bregafunk conseguia dialogar com as pessoas. Nenhuma música faz sucesso sozinha. Nem só com a ajuda de produtores, o público precisa curtir. Algo tem que chamar a atenção, vocês concordam?
Pois bem. Nada é só beleza. Eu escutando algumas músicas, fiquei pensando como as escolas estão mal, estão capenga. Eu ainda não vi marcas nessas músicas que mostrem que as escolas instrumentalizaram a galera na sua produção musical, falando de outro jeito, quando a gente escuta essas músicas não encontra coisas que se aprendem nas escolas. O que eu vi foi a galera usando o que rola nas brincadeiras, no convívio de outras pessoas e principalmente na tiração de onda.
Enfim, este texto já está muito grande. E eu só falei isso para ter uma ideia da viagem. A música não explica tudo, mas dela podemos ver muitas coisas, algumas fáceis de explicar e outras que talvez não dê. Então, vamos conversar sobre isso?
Vai ser bem interessante ter acesso a essa nova escrita sua...
ResponderExcluirVai sim! Para mim também. Esse tipo de texto está mais relacionados aos sentimentos e reflexões iniciais, são mais criativos, mais viajados e bem mais livre :).
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ExcluirMuito bom teu texto Tiago!!
ResponderExcluirMuito obrigado Bruna! Espero que possamos continuar conversando sobre música desta forma.
ExcluirTemos que entender que existe público para tudo e todos, as vezes o que uma pessoa conceitua como belo e de qualidade, não é o que outra conceitua. Acho que está tudo bem por ser assim. A Modinha que surgiu nos salões da coroa portuguesa aqui no Brasil, com o tempo virou música do povo.
ResponderExcluirÉ verdade. O consumo da música é bem dinâmico. Acho interessante a gente pensar também que esse processo, como o que você citou - da música da coroa portuguesa passar a ser consumida pelo povo - envolve outras coisas, de caráter político e econômico, por exemplo.
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